Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Ciclo Vicioso

"Vanessa é uma miúda normal. Uma adolescente cheia de sangue na guelra, 14 anos espevitados, com olhos brilhantes e cabelo sedoso e um corpo a prometer pecado. Vanessa está na idade do tudo ou nada. Pode ser que não aconteça nada ou pode ser que aconteça tudo. Gosta de ser olhada pelos rapazes e sabe que mesmo os homens mais velhos a miram na rua. Estranhamente, isso não a faz sentir mal. Um novo sentimento de feminilidade corre-lhe nas veias e embora ainda não saiba bem o que é, Vanessa já percebeu como se manifesta o desejo.

O pior é que também já aprendeu que a frescura da pele dela pode ter um preço. E que esse valor pode render muitos pares de ténis e roupas muito parecidas com aquelas que aparecem nos "morangos com Açúcar". Pelo menos foi o que lhe contou uma das colegas da escola, a Jessica, que está farta de lhe dizer que se ela for a umas com uns sujeitos que ela conhece pode comprar o que quiser. A Vanessa tem pensado muito nisso. Já fuma e gosta de beber. Acha os rapazes da idade delas um bocado parvos e no outro dia meteu-se num carro com um amigo da Jessica que lhe disse que ela era muito gira.

A Vanessa foi presa numa noite destas. A polícia afirma que ela se estava a prostituir. A mãe da Vanessa acha que foi só um mau passo. O pai não acha nada. Nunca viveu com elas. Afinal de contas, a mãe da Vanessa engravidou tão cedo e também já teve problemas. O ciclo da pobreza repete-se de geraçãoi em geração. Os nomes são fictícios e a história é real. E repete-se em todos os cantos do País." Júlia Pinheiro in "24 horas" em 16 de Novembro de 2006.

publicado por etoulixada às 21:30
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Sim, obviamente

"Estou sem paciência. Peço desculpa, mas não aguento mais um minuto de discussão sobre o referendo. O que não significa que esteja indiferente à questão. Muito pelo contrário. Domingo lá estarei para votar sim. Naturalmente , sim. Com a tranquilidade de espírito de uma questão intimamente resolvida há muito tempo. Há oito anos, a questão devia ter sido resolvida no Parlamento. Não ficou porque um primeiro – ministro beato resolveu referendar a questão. Chamava-se António Guterres e o curso da história veio provar que o homem não era apenas um frouxo, era um cobarde natural. Em 2007, outro primeiro – ministro socialista resolve fazer a mesma coisa. Para disfarçar a sua falta de fibra, assume que o partido está inequivocamente do lado do sim, participa na campanha, mas não disfarça o óbvio. Não foi suficientemente determinado para fazer passar uma lei que é fundamental para a dignidade dos cidadãos. E isso tem de ficar escrito. Agora a verdade que falta.

O combate entre o “sim” e o “não” não é uma questão filosófica ou ética. Para mim é uma questão de classe. Para aqueles que se socorrem da sua filiação católica para pertencer a um determinado estrato social, as criaturas imbuídas de um espírito salvador, daqueles que argumentam com a sobranceira moral dos iluminados, esses naturalmente votam não. Tratam-se por você, distribuem apenas um beijo e são muito activos nas mil acções solidárias para com os desfavorecidos.

Cada acto de solidariedade é uma redenção para o seu próprio egoísmo. Por isso, o mundo pode ficar cheio de crianças que ninguém quer. Eu voto sim por amor. Acredito que cada mãe que não prossegue uma gravidez o faz porque não tem alternativa. Ninguém deve ter um filho que não pode ser amado, educado e alimentado. E quem sou eu para impedir a escolha de alguém? Nem eu, nem o Estado. Sim, obviamente." Júlia Pinheiro in "24 horas" em 7 de Fevereiro de 2007

publicado por etoulixada às 08:36
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Saudades de te ter!

"Tenho saudades tuas mesmo antes de teres partido. É como se um buraco se tivesse aberto no meu peito, no meu coração, a minha pele rasgada e eu já sem lágrimas para te chorar. Quando não te souber do outro lado do telefone, quando não souber onde dormes, o que vêem os teus olhos, vou perder-me nas nossas memórias, ou melhor, vou perder-me dentro de mim. Tu és a presença mais constante da minha vida. Tu és o meu norte. O meu sul. Os meus dias de verão e as noites de inverno, e sem ti sou apenas uma vaga imagem de quem fui. O amor tem tantas formas! Mas a dor da ausência tem sempre o mesmo sabor e não é passível de ser descrita. Não existem palavras para dizer como te amo, porque não consigo recordar um simples momento da minha vida que não tenha o teu rosto, o teu cheiro, os teus olhos azuis de tristeza, sempre de tristeza escondida por sorrisos mordazes. Quem vai cuidar de ti? Com quem vais conversar sobre política, musica, disso e daquilo e de nada? Quem vai tomar conta de ti? Quem te beijará e quem te aninhará no teu leito, nem que seja através dum simples telefonema? Ah! Todas as coisas que não fiz, todas as palavras que não te disse. E agora? E agora? Apenas sei que sempre que fechar os olhos te verei, e todas as noites quando me deitar te sonharei em qualquer sítio, embalado pela mesma lua, pelas mesmas estrelas. O amor requer sempre a dor, ou é sina minha?” Luisa Castel-Branco in Instantes – Destak 6 de Fevereiro de 2007

publicado por etoulixada às 21:50
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