Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Ola mãe!

Há rotinas que eu não abdico delas, uma é a tua mensagem quase diária “...Ola Mãe! Hoje preciso de boleia! Se puder ser às 18h00 no Campo Grande! Beijinhos...”, e hoje não foi excepção, lá estava eu aguardando por ti, vejo-te aproximar do carro, dás-me as boas tardes com um sorriso nos lábios, entras no carro e escolhes o CD que queres ouvir, passo para a tua mão o lanche que te arranjei e lá vamos nós rumo a casa, por vezes em silêncio, porque adivinho o teu estado de espírito pela musica que escolhes, e penso como somos tão iguais... A ti dedico este texto, Meu Filho ...

“Entrei no teu carro

Entrei no teu carro, ligaste o rádio e o CD tocou exactamente a mesma musica que eu estava a ouvir quando saía de casa, Bach. Somos os dois tão iguais, como se fôssemos uma fotocópia exacta um do outro, meu filho. Sei-te a voz, conheço-te as ondas da tua voz e por isso te pergunto: que se passa? E tu respondes: Nada. Mas depois a musica que escolhes, tal como eu, é o papel que embrulha os nossos dias. E para cada dia existe uma tonalidade diferente, consoante a dor da alma, a alegria do coração ou o simples vazio. Sempre te disse que felizmente tinhas nascido homem, aos homens tudo se perdoa, tudo se compreende. O meu mau feitio é em ti personalidade, a nossa energia sem limites e derrubadora de tudo e todos é em ti excelência e em mim foi sempre mau feitio para dizer o mínimo. Quando penso em ti o meu coração divide-se em duas partes. Por um lado, tenho um orgulho imenso de te saber um sonhador insaciável, um espírito que nunca será dominado, um furacão que consumirará a tua energia e a dos outros. Mas o teu pensamento voa e voa e voa e tu estás simultaneamente preso, sequestrado dentro de ti, dentro da realidade que são os outros. E por isso mesmos, a outra metade do meu coração sofre pelas tuas dores passadas, presentes e futuras, pela tua condenação a um solidão infinita. Mas quero acreditar que te dei asas, que depositei em ti a certeza de que sermos diferentes não é mau é só o que é. A tua constante procura por algo que não sabes o que é marcará o teu lugar no coração de quem importa. Não tenhas medo, meu filho, e sê humilde. Todas as lágrimas são iguais.” Luisa Castel-Branco in Instantes – Destak 24 de Abril de 2007.

 

sinto-me:
publicado por etoulixada às 20:41
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